Há projetos que nascem como ideias simples, quase tímidas e que, com o tempo, ganham corpo, voz e significado. “Por Terras de Moleiros” é um desses casos.
Mais do que um documentário, este é um retrato vivo de um território moldado pelo vento, pelo tempo… e pelas mãos de quem nunca o deixou parar.
Um território que fala através das pessoas
Ao longo deste percurso, foram reunidas 18 vozes. Não são apenas entrevistas, são testemunhos de vida. São guardiões de uma memória que insiste em não desaparecer.
Cada moinho visitado, cada paisagem captada, cada história registada revela uma ligação profunda entre o homem e a terra e com uma força invisível, mas constante: o vento.
Num mundo que avança depressa, há saberes que não cabem na pressa. Precisam de tempo, de escuta e de respeito. Foi exatamente isso que este projeto procurou fazer: parar para ouvir e dar forma ao que não pode ficar em silêncio.
Um projeto construído em conjunto
“Por Terras de Moleiros” nasce da colaboração entre diferentes áreas e equipas do Grupo Química Criativa. Um trabalho onde criação, produção e olhar artístico se cruzam para dar vida a algo maior do que a soma das suas partes.
No centro de tudo está o humano.
E isso sente-se em cada detalhe, em cada escolha, em cada história contada.
Do confinamento ao reconhecimento mundial
A história deste documentário começa num momento improvável: março de 2020.
Em pleno confinamento, quando o mundo parecia suspenso, surgiu um telefonema. Do outro lado, o então Coordenador Executivo do Geoparque Oeste, Miguel Reis Silva, lançava uma ideia: contar o território do Oeste através das suas pessoas, das suas tradições e da sua identidade.
Na altura, era ainda um aspirante a geoparque.
Mas havia uma visão.
E, a partir daí… nunca mais se parou.
Entre restrições, deslocações e desafios, foram percorridos quilómetros de território, atravessados concelhos e criadas ligações com dezenas de pessoas. Histórias únicas foram sendo recolhidas, saberes registados e memórias preservadas.
Até que, em março de 2024, chegou o reconhecimento: o território passou a integrar a Rede Global de Geoparques Mundiais da UNESCO.
Um marco celebrado de perto por quem acompanhou todo o caminho.
Crescer com o território
Este documentário é mais do que um produto final. É também o reflexo de um percurso.
Se olharmos para trás, para os primeiros trabalhos, e os compararmos com o que hoje se cria, é evidente a evolução. Um crescimento construído lado a lado com confiança, liberdade criativa e uma vontade comum de fazer sempre melhor.
Há algo especial em trabalhar com quem acredita nas ideias ainda quando elas estão apenas no papel.
Em crescer em conjunto.
E em celebrar cada conquista como se fosse a primeira.
Memória, identidade e resistência
“Por Terras de Moleiros” é memória.
É identidade.
É resistência.
Mas é também uma afirmação clara de propósito: contar histórias com tempo, com verdade e com respeito.
Num território onde o vento continua a mover moinhos, há também histórias que continuam a mover pessoas.
E enquanto houver quem as escute, elas nunca deixarão de existir.